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Eliphas Levi

         

          Nascido em oito de fevereiro de 1810, em Paris, França, Alphonse Louis Constant, abade da ordem de São Francisco, adotou o pseudônimo de "Eliphas Levi", na propagação do trabalho ocultista, fruto das pesquisas que lhe propiciaram os manuscritos que compunham a biblioteca do seu convento. A ele se deve o ressurgimento da cabala, sabedoria oculta dos rabinos judeus da Idade Média, derivada de doutrinas secretas mais antigas, relativas à cosmogonia e às coisas divinas e que se encontrava soterrada até meados do século XIX quando havia se degradado em rituais negros, sendo o responsável por sua codificação, após ter sido reabilitada por Paracelso.

          Conhecido como mago, efetivamente era, por sua aplicação, um reconhecido magista na verdadeira acepção do termo. Identificava-se pela fé e na crença substancial da redenção do homem pelo amor, como revelação de sua identidade com Deus, considerando que, "a chave do enigma da Esfinge é Deus no homem e na natureza". Elifas Levi entrou na Ordem de São Francisco e aí, dispondo do imenso cabedal que lhe forneciam os manuscritos da biblioteca de seu convento, obteve os vastíssimos conhecimentos ocultos que, com tanta maestria, expõe em suas obras. Alguns exemplos:

          No Grande Arcano profundas são as palavras. Revela sua sabedoria em expressões como “Tudo o que é verdade é belo”; “Só há de vão sob o sol, o erro e a mentira”; “A própria dor e a morte são belas, porque são o trabalho que purifica e a transfiguração que liberta”; “Temer a Deus é desconhecê-lo; só devemos temer o erro”; “O homem pode tudo o que quer, quando só quer a justiça”; “Há apenas um único e verdadeiro poder na terra como no céu: é o poder do bem”; “O que um justo quer, Deus aprova. O que um justo escreve, Deus assina e é um testamento eterno”.

          Em A Chave dos Grandes Mistérios: “O maior mistério do infinito é a existência daquele só, para quem tudo é sem mistério”; “A necessidade de crer se liga estreitamente à necessidade de amar: é por isso que as almas têm necessidade de comungar nas mesmas esperanças e no mesmo amor. As crenças isoladas são simplesmente dúvidas”; “A dúvida é mortal à fé..."; “Existe um fato imenso que de algum modo faz Deus visível na terra... A caridade...”. Da forma como ele expôs, a tradução da caridade é “amor”.

          Em Dogma e Ritual da Alta Magia, onde deixa explicitada a luz afastando a ignorância do fanatismo, pelas falsas crenças, expondo com lucidez para os estudiosos do ocultismo, fórmulas mágicas, diz:

          “A oração feita em comum e conforme a fé ardente do maior número constitui verdadeiramente uma corrente magnética, sendo o que entendemos por magnetismo exercido em círculos”

Não podemos deixar de mencionar o seu credo filosófico, que assim exprime:

Creio no desconhecido que Deus personifica,

Provado pelo próprio Ente e pela imensidade

Ideal sobre-humano da filosofia,

Suprema inteligência e suprema bondade

          Eliphas Levi desencarnou em 31 de maio de 1875 em sua residência, em Paris. Suas obras o eternizaram na memória dos estudiosos das ciências ocultas, constituindo um precioso legado aos que buscam a fórmula para integrar-se aos mistérios natureza. Prentice Mulford e Eliphas Levi, iluminados mestres no domínio das ciências ocultas, simbolizam, na filosofia do Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento, a união do mentalismo do novo mundo à magia do ocidente. Prestamos a nossa homenagem aos ilustres semeadores, identificados, cada um por sua própria substância, almas abnegadas, que nobre mente dedicaram-se à humanização do homem à luz da vida em comunhão com o infinito: Deus. Que a divina benção os eleve sempre são as nossas orações.